Menina
que me fita
com olhos garços
entrelaçando
com teu laço
nossos dedos
percorrendo
meus medos,
planta a semente
veemente
no berço frutífero
de sapho.

You know why?
Menina
que me fita
com olhos garços
entrelaçando
com teu laço
nossos dedos
percorrendo
meus medos,
planta a semente
veemente
no berço frutífero
de sapho.

Sou de uma espécie
quase extinta
que a sina
é morrer pelas extremidades.
O veneno entra
pelos poros
da pele
pelo toque
e apenas os olhos
podem delatar o ataque,
dilatados e transbordando,
contraditoriamente
clamando o abraço.
Olhos inchados e avermelhados
que o pintor desavisado
pintou pensando ser
o céu estriado
do pôr do sol.
A gralha que gargalha calculista
Fita meus olhos turvos em segredo
Sorrateira, os inunda com o medo
Que transborda na gota derrotista
O silêncio sufoca, derradeiro
E a gralha mata o anestesista:
O grito - que some sem deixar pista.
Levo as mãos à boca em desespero
É música no bico desse artista
Que geme e grasna e grita um pesadelo
De visões desgraçadas que eu mereço
Forço os olhos abertos – estremeço.
É estrela dessa orquestra, é solista
A gralha que gargalha calculista.

Apesar dos Outros que insistem no que está certo ou errado, eu não conseguiria viver sempre de dia, separando as noites pra dormir. Não poderia viver nesse mundo cego surdo-mudo perturbado, no qual o calor do asfalto é o mais quente que conseguem sentir. Sou feliz assim: sonhando acordada e dançando e brindando à noite, até a sola do sapato cair!
Recife, 25 de março de 2010.
Querido,
Peguei minhas sapatilhas de primeira comunhão e pintei de rosa. O resto da tinta joguei pela janela, calçada a fora. A tinta escorreu, pintou as ruas; e foram minhas mãos sujas que pintaram as tuas. Tirei de mim o marasmo e a apatia, deixei pra ti só meu bem e poesia. Com a tinta ainda fresca, as sapatilhas eu calcei e o vestido que vestia, tirei. Andei, sem medo, pelas ruas que, agora cor de rosa, refletiam seus tons em mim. Eu, branca nua, enrubesci, mas não por vergonha ou embaraço. Ruborizei com o sangue que pulsava com teu pulsar naquele beijo que te dei.
Com amor,


