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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Puella

Menina

que me fita

com olhos garços

entrelaçando

com teu laço

nossos dedos

percorrendo

meus medos,

planta a semente

veemente

no berço frutífero

de sapho.



domingo, 26 de junho de 2011

Olhos.


Sou de uma espécie

quase extinta

que a sina

é morrer pelas extremidades.

O veneno entra

pelos poros

da pele

pelo toque

e apenas os olhos

podem delatar o ataque,

dilatados e transbordando,

contraditoriamente

clamando o abraço.

Olhos inchados e avermelhados

que o pintor desavisado

pintou pensando ser

o céu estriado

do pôr do sol.


sábado, 4 de junho de 2011

A menina


Tão clara a meninalvorada.

Tão calma a triste menina.
Temia a luz
Sem atinar a cilada.
Tão magra a meninaçoitada.
Tão cheia de nada.
Desatina na chuva
A cada pedalada.

Chicote inesperado rompe a neblina.



sábado, 26 de fevereiro de 2011

A gralha que gargalha calculista


A gralha que gargalha calculista

Fita meus olhos turvos em segredo

Sorrateira, os inunda com o medo

Que transborda na gota derrotista


O silêncio sufoca, derradeiro

E a gralha mata o anestesista:

O grito - que some sem deixar pista.

Levo as mãos à boca em desespero


É música no bico desse artista

Que geme e grasna e grita um pesadelo

De visões desgraçadas que eu mereço


Forço os olhos abertos – estremeço.

É estrela dessa orquestra, é solista

A gralha que gargalha calculista.




sábado, 5 de junho de 2010

Bodas de Beijinhos

 




"Um café e um amor, quentes por favor"(c.f.a.) ?

Não, só um café. Um amor eu já tenho.

 




"And if you only hold me tight

We'll be holding on forever"





sábado, 22 de maio de 2010

Vou confessar:

Apesar dos Outros que insistem no que está certo ou errado, eu não conseguiria viver sempre de dia, separando as noites pra dormir. Não poderia viver nesse mundo cego surdo-mudo perturbado, no qual o calor do asfalto é o mais quente que conseguem sentir. Sou feliz assim: sonhando acordada e dançando e brindando à noite, até a sola do sapato cair!


domingo, 25 de abril de 2010

Just happy.

Recife, 25 de março de 2010.

Querido,


Peguei minhas sapatilhas de primeira comunhão e pintei de rosa. O resto da tinta joguei pela janela, calçada a fora. A tinta escorreu, pintou as ruas; e foram minhas mãos sujas que pintaram as tuas. Tirei de mim o marasmo e a apatia, deixei pra ti só meu bem e poesia. Com a tinta ainda fresca, as sapatilhas eu calcei e o vestido que vestia, tirei. Andei, sem medo, pelas ruas que, agora cor de rosa, refletiam seus tons em mim. Eu, branca nua, enrubesci, mas não por vergonha ou embaraço. Ruborizei com o sangue que pulsava com teu pulsar naquele beijo que te dei.



Com amor,

Catarina.






quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Do início da obsessão.

Masmorra.



Viviam a espalhar que Catarina não tinha ambições. Eu, francamente, não entendo o motivo que fez essa gente pensar assim, já que – para mim – Catarina sempre teve o Querer correndo dentro de si. Caro leitor, eu sei que se visse Catarina se apaixonaria por ela da mesma forma que esse que vos escreve se apaixonou. Me visto dessa identidade masculina, pois se meu lado feminino conduzisse esse pequeno relato (espero que seja pequeno, e será se a mulher em mim se manter afastada) ele se resumiria a uma tragada de metáforas e alguns pingos sortidos especialmente escolhidos para borrar essas páginas.

Catarina era, simplesmente era. E me olhava, ela sempre me olhou e apenas isso. Mas ora! Como apenas? Bastava Catarina me olhar para que o calafrio na espinha me tomasse e numa fração de segundos descesse minhas pernas, envolvesse meu pescoço, arrepiasse meus pelos. Era um duelo. Uma disputa do que queria e do que tinha. Um duelo imaginário, onde imaginava que o arrepio que me tomava eram os braços finos de Catarina.

(Quero me desculpar se cansas de ler “Catarina”. Mas o fato é que não consigo chamá-la de outra forma. Me esforço e sofro internas represálias ao falar “ela” e não encontro adjetivos nem substantivos para substituí-la por completo. Me esforçarei, mas peço paciência, apenas paciência, e caso não a tenha em demasia eu não só entendo como perdôo.)

Toda minha história com Catarina pode ser facilmente resumida num instante. O instante de um afogamento. Os eternos segundos de quando se está embaixo d’água. O mundo corre e você sente o amorfinado gosto de vida sufocada. Catarina chegou. Olhei. Suspirei e na distração perdi o ar. Na minha incapacidade Catarina chegou. Me olhou. Olhei. Fechei os olhos. Senti o primeiro dos calafrios. Mesmo estando do lado contrário da calçada, a senti em mim. E me senti grávida de Catarina.

Eu a vi virar a esquina sem se despedir, apressada. Talvez tenha me visto louco. Ou me vestido assim. Bom, não sei como ela me afeta tanto, só sei que não se afetar é uma tarefa difícil e não invejo os capazes.

Sozinho, eu deitei. Sem perceber levei minhas mãos ao vente que não tinha. Mexeu. Tudo mexia, tudo vibrava. Catarina crescia, me tomava. Meu corpo deformava. Novamente fechei os olhos, mas ardiam. Contraí. Catarina nasceu. E a odiei por ter se plantando em mim.

(Amigo leitor, não se espante. Odiei – é verdade – mas é insignificante seu limite até amá-la. Eu fui usado e depois descartado, o que não impede de que, nesse meio tempo, tenha sido amado por Catarina.)

Agora tudo repele. O anseio vertiginoso por sentimentos mascarados, outrora outorgados, queima. Tudo repele. Por vezes mata, por vezes cura. Sentir é matar a sede de quem se afoga. O Encanto é um filete sem cheiro, embora dourado. O Amor, nem isso, nem menos.

Catarina me deu respostas quando o que eu mais queria era errar. Ela se deixou comigo para me inspirar, e na verdade eu apenas queria seguir meus impulsos.

O que aprendi? Amigo leitor, aprender é ter consciência do que se sabe, e eu nem sei nem tenho consciência. Brinquei de esconde-esconde com Catarina. Mais fácil seria me encontrar Deus, e muita gente ainda tenta… Então mantenho minhas esperanças de reencontrar Catarina. Esperanças são o café amargo e o pão sem manteiga que mata a fome. E sustenta. No fim? No fim acaba.



Viva, mas morra.



meados de 2008