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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Puella

Menina

que me fita

com olhos garços

entrelaçando

com teu laço

nossos dedos

percorrendo

meus medos,

planta a semente

veemente

no berço frutífero

de sapho.



domingo, 26 de junho de 2011

Olhos.


Sou de uma espécie

quase extinta

que a sina

é morrer pelas extremidades.

O veneno entra

pelos poros

da pele

pelo toque

e apenas os olhos

podem delatar o ataque,

dilatados e transbordando,

contraditoriamente

clamando o abraço.

Olhos inchados e avermelhados

que o pintor desavisado

pintou pensando ser

o céu estriado

do pôr do sol.


sábado, 30 de abril de 2011

Aqui.

Aqui onde tudo se perde, onde o modesto não se mede, onde o céu engole a terra.


Aqui onde o coração bate, bate, bate..

...marcando o compasso, contando os paços

de meu caminho.


Aqui onde o vento faz a curva fugindo do marasmo, mas que,

pra evitar o cansaço,

vai... de... man...si...nho...


Aqui onde costuro o destino, bordo, alinhavo,

até que bate o tédio e desmancho.

Aqui onde perco, acho, quebro;

concerto, arrumo, desencanto.


Aqui onde o trovão sacode a janela e o relâmpago clareia o quarto.

Aqui onde a tatuagem com o nome dela sai do peito e fica no retrato.


Aqui onde o médico diagnostica um abscesso.

Aqui onde meu corpo cai e desfalece.

Aqui onde me deito, fincando as mãos no chão pra ter mais coragem.

Aqui onde me deito e faço uma prece.

É aqui onde o que se mata morre incerto.

E o vivo,



...





o vivo não sabe se merece.





sábado, 22 de maio de 2010

Vou confessar:

Apesar dos Outros que insistem no que está certo ou errado, eu não conseguiria viver sempre de dia, separando as noites pra dormir. Não poderia viver nesse mundo cego surdo-mudo perturbado, no qual o calor do asfalto é o mais quente que conseguem sentir. Sou feliz assim: sonhando acordada e dançando e brindando à noite, até a sola do sapato cair!


terça-feira, 16 de março de 2010

Não darei um título

Não me obrigues a tudo dar razão, a tudo distinguir
Lá ou aqui
Nenhum nome é absoluto, nenhuma idéia é pedra.
Os carros passam e levam os ponteiros, o semáforo ritmado não pertence ao nosso mundo. Os ponteiros também não.
A noite não nega o dia (E nem ao contrário).
O que nasceu primeiro? A dúvida é enviada sem destinatário.
Nada é.
Estou.
E a caixa de correio não tem correspondência.





Perdão Drummond, mas a noite tem reticências!


16 DE MAIO DE 2008








quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sighl

Suspiros são sempre fracos ou não seriam suspiros.
Se fortes, seriam sopros. Se fracos demais, bocejos.
Na melhor das hipóteses, constrangem. Na pior, condenam.


E essas lembranças murmuram ladainhas sobre a minha falta do zelo.
Acompanho-as.

Só sei ser assim.