Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Puella

Menina

que me fita

com olhos garços

entrelaçando

com teu laço

nossos dedos

percorrendo

meus medos,

planta a semente

veemente

no berço frutífero

de sapho.



domingo, 26 de junho de 2011

Olhos.


Sou de uma espécie

quase extinta

que a sina

é morrer pelas extremidades.

O veneno entra

pelos poros

da pele

pelo toque

e apenas os olhos

podem delatar o ataque,

dilatados e transbordando,

contraditoriamente

clamando o abraço.

Olhos inchados e avermelhados

que o pintor desavisado

pintou pensando ser

o céu estriado

do pôr do sol.


sábado, 4 de junho de 2011

A menina


Tão clara a meninalvorada.

Tão calma a triste menina.
Temia a luz
Sem atinar a cilada.
Tão magra a meninaçoitada.
Tão cheia de nada.
Desatina na chuva
A cada pedalada.

Chicote inesperado rompe a neblina.



sábado, 30 de abril de 2011

Aqui.

Aqui onde tudo se perde, onde o modesto não se mede, onde o céu engole a terra.


Aqui onde o coração bate, bate, bate..

...marcando o compasso, contando os paços

de meu caminho.


Aqui onde o vento faz a curva fugindo do marasmo, mas que,

pra evitar o cansaço,

vai... de... man...si...nho...


Aqui onde costuro o destino, bordo, alinhavo,

até que bate o tédio e desmancho.

Aqui onde perco, acho, quebro;

concerto, arrumo, desencanto.


Aqui onde o trovão sacode a janela e o relâmpago clareia o quarto.

Aqui onde a tatuagem com o nome dela sai do peito e fica no retrato.


Aqui onde o médico diagnostica um abscesso.

Aqui onde meu corpo cai e desfalece.

Aqui onde me deito, fincando as mãos no chão pra ter mais coragem.

Aqui onde me deito e faço uma prece.

É aqui onde o que se mata morre incerto.

E o vivo,



...





o vivo não sabe se merece.





sábado, 26 de fevereiro de 2011

A gralha que gargalha calculista


A gralha que gargalha calculista

Fita meus olhos turvos em segredo

Sorrateira, os inunda com o medo

Que transborda na gota derrotista


O silêncio sufoca, derradeiro

E a gralha mata o anestesista:

O grito - que some sem deixar pista.

Levo as mãos à boca em desespero


É música no bico desse artista

Que geme e grasna e grita um pesadelo

De visões desgraçadas que eu mereço


Forço os olhos abertos – estremeço.

É estrela dessa orquestra, é solista

A gralha que gargalha calculista.




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

المثالي



Em uma tentativa vil de desvirginar o labirinto que suga a humanidade

Meti minhas mãos naquela frívola multidão

Mas em vez de encontrar a alma que o corpo inunda

Rasguei vísceras de sangue pérfido e grosso

Uma corrente horrenda dotada de um monocromatismo monstruoso

Uma mistura de tons naquela universal vermelhidão


Em monólogos absortos, mas angelicais

Escalei as muralhas dos inconscientes

Mas esse silencio, esse mistério me impede de subir mais e mais


E agora esse corvo gargalha nos meus umbrais, convulso

E a noite funciona como um firme pulso

Onde me perdi na obsessão que em minha alma também um fígado sangrava

Que em minha alma também uma garganta gemia

E vi meu corpo coberto de desgraça

Na incerteza do que e do que não havia.




23/05/05



sábado, 22 de maio de 2010

Vou confessar:

Apesar dos Outros que insistem no que está certo ou errado, eu não conseguiria viver sempre de dia, separando as noites pra dormir. Não poderia viver nesse mundo cego surdo-mudo perturbado, no qual o calor do asfalto é o mais quente que conseguem sentir. Sou feliz assim: sonhando acordada e dançando e brindando à noite, até a sola do sapato cair!


domingo, 25 de abril de 2010

Just happy.

Recife, 25 de março de 2010.

Querido,


Peguei minhas sapatilhas de primeira comunhão e pintei de rosa. O resto da tinta joguei pela janela, calçada a fora. A tinta escorreu, pintou as ruas; e foram minhas mãos sujas que pintaram as tuas. Tirei de mim o marasmo e a apatia, deixei pra ti só meu bem e poesia. Com a tinta ainda fresca, as sapatilhas eu calcei e o vestido que vestia, tirei. Andei, sem medo, pelas ruas que, agora cor de rosa, refletiam seus tons em mim. Eu, branca nua, enrubesci, mas não por vergonha ou embaraço. Ruborizei com o sangue que pulsava com teu pulsar naquele beijo que te dei.



Com amor,

Catarina.






terça-feira, 16 de março de 2010

Não darei um título

Não me obrigues a tudo dar razão, a tudo distinguir
Lá ou aqui
Nenhum nome é absoluto, nenhuma idéia é pedra.
Os carros passam e levam os ponteiros, o semáforo ritmado não pertence ao nosso mundo. Os ponteiros também não.
A noite não nega o dia (E nem ao contrário).
O que nasceu primeiro? A dúvida é enviada sem destinatário.
Nada é.
Estou.
E a caixa de correio não tem correspondência.





Perdão Drummond, mas a noite tem reticências!


16 DE MAIO DE 2008