sábado, 5 de junho de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Vou confessar:
Apesar dos Outros que insistem no que está certo ou errado, eu não conseguiria viver sempre de dia, separando as noites pra dormir. Não poderia viver nesse mundo cego surdo-mudo perturbado, no qual o calor do asfalto é o mais quente que conseguem sentir. Sou feliz assim: sonhando acordada e dançando e brindando à noite, até a sola do sapato cair!
domingo, 25 de abril de 2010
Just happy.
Recife, 25 de março de 2010.
Querido,
Peguei minhas sapatilhas de primeira comunhão e pintei de rosa. O resto da tinta joguei pela janela, calçada a fora. A tinta escorreu, pintou as ruas; e foram minhas mãos sujas que pintaram as tuas. Tirei de mim o marasmo e a apatia, deixei pra ti só meu bem e poesia. Com a tinta ainda fresca, as sapatilhas eu calcei e o vestido que vestia, tirei. Andei, sem medo, pelas ruas que, agora cor de rosa, refletiam seus tons em mim. Eu, branca nua, enrubesci, mas não por vergonha ou embaraço. Ruborizei com o sangue que pulsava com teu pulsar naquele beijo que te dei.
Com amor,
sábado, 3 de abril de 2010
Eyes
Essa Indiferença sempre aterrorizou Catarinamais que o desprezo, mais que a repulsa.
A Indiferença é uma pedra que, embora pedra, pulsa e vibra.
É a alma em estado vegetativo, na margem do ser, pronta para a queda.
É a faca apática, fina e oportuna, que pressiona até romper. Rompe e deixa brotar o córrego que se esvai até o fim.
Cansada, Catarina se vê afrontada,quase sem forças, nessa batalha sem futuropelos olhos dele nos dela.
sábado, 27 de março de 2010
Run
terça-feira, 16 de março de 2010
Não darei um título
Lá ou aqui
Nenhum nome é absoluto, nenhuma idéia é pedra.
Os carros passam e levam os ponteiros, o semáforo ritmado não pertence ao nosso mundo. Os ponteiros também não.
A noite não nega o dia (E nem ao contrário).
O que nasceu primeiro? A dúvida é enviada sem destinatário.
Nada é.
Estou.
E a caixa de correio não tem correspondência.
16 DE MAIO DE 2008
terça-feira, 2 de março de 2010
Anger

Quem fitasse os olhos de Catarina naquele momento único, teria a sensação de estar contemplando a rosácea da capela de Sainte-Chapelle em uma tarde de garoa.
Gota após gota molhava os vitrais. A primeira, mais pesada e orvalhada, transbordou e mais que depressa foi arrancada com um gesto ríspido e intolerante.
O dilúvio chegara. A tarde se fez noite e o sol não mais cruzava os vidros.
Era a fraqueza que escorria pelo rosto de Catarina, era a desonra destacada em meio ao ódio. Era o olhar que, mesmo cego pela escuridão, forçava um pequeno feixe de humanidade.
O Ciclone da Cólera. O mais poderoso e devastador e ditatorial dos demônios. Era a raiva animalesca que excitava Catarina a esmurrar as paredes até que todos os ossos das mãos estivessem completamente estilhaçados. (Se conteve, pois o instinto de preservação implorou por clemência.)
Catarina acovardava-se. Reservava o direito de externar o ódio a apenas aos de bravura. Aos de coragem para revidar. Mas Catarina era covarde. Cerrava os olhos enquanto segurava a respiração.
Asfixia. Força. Arrisca tudo para engolir o gênio da fúria.
E esse monstro cresce dentro de Catarina a cada mordida.

Perverte.
Corrompe.
Apodrece.
E se alimenta dos vermes que cultuam
o esterco sanguíneo que pulsa irrequieto
por entre os vasos rasos do rosto de Catarina.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Flow

O espelho não deixava margem para mentiras.Catarina estava deslumbrante.
Acordou naquele dia com uma sensação inexplicável de serenidade.
Acordara há pouco e já estava de saída. Eu tinha essa certeza, era seu costume acordar às 07h20min, todos os dias, religiosamente. Não eram 08h quando, da minha janela, observei Catarina se distanciando. Estava encantadora. Usava um vestido de verão com um charmoso chapéu. Provavelmente seria para se proteger do sol, entretanto, em Catarina, se transformava em uma arma.
Sem perceber, Catarina atira contra mim a cada passo firme dado. Lança projéteis revestidos de dourado em minha direção. Estraçalha meus braços, pernas, tórax, rosto. Minha carne, rente aos ossos, não suporta mais os bombardeios.
"Absorve um oceano de pedras, mas não deixa naufragar a célula que te deu origem."
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Do início da obsessão.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Satisfaction
Catarina decidiu que se permitiria viver.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Sapless
Inquietude,
Transtorno,
Fracasso.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Sanctify
sábado, 30 de janeiro de 2010
Sallow
Tudo se esvai. O laço afrouxa e tudo se esvai. Rompe e liberta sentimentos ternos misturados com o sangue. O último fôlego maternal ganha reticências com o primeiro suspiro de Catarina. A terra úmida tem um novo fôlego. Rumorosa, estrumada e feliz. Cega, ela não se importa com mais nada. Cega, Catarina só quer a luz.

E quem fica na sala de espera não ouve nada, só sente o silêncio
Talvez ainda exista o eco do último grito ou talvez seja só o ruído do vento.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Safe
...é só não pensar em nós como a melhor parte de mimE eu quero chegar a um dia dizer: de tanto ficar só, vivo bem sem você...
Quem acompanhasse essa história na platéia ou até nos bastidores, não importa, veriam, é bem possível, uma senhora sem rumo que, pela primeira vez em 53 anos, estava sozinha. Catarina sentia diferente. Dançava solta ao tom de que Comptine D'un Autre ete tomava seu apartamento, a varanda, a rua deserta. E depois desses 53 anos em cárcere, esses foram os 2 minutos no qual Catarina ousou. Depois do corte incisivo da lei, Catarina usou das próprias mãos e rasgou o casulo. Era a liberdade e a primeira sensação de se bastar, de se ser suficiente. Era a primeira aspiração após o cordão umbilical ter sido cortado. O primeiro choro da vitória. O primeiro brilho de luz nos olhos castanhos de Catarina. Era a pura, despretensiosa e verdadeira felicidade que a puxava para fora da cesariana.quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Seed
Sou uma semente plantada no lodo
Qual vento me trouxe?
Meu nome é um livro trancado e vazio
Até porque meus olhos também se fecham
E choram para não se abrirem
Mas pela noite, nessa inundação, consigo sentir minhas mãos
Consigo entender minhas pegadas
Eu encontrei o que procurava?
Sim... Nessa rocha fria que por noites me serviu de almofada
No granito do meu peito
Eu vejo seu rosto esculpido
Acorde e abra os olhos...
Abra-os e escape!








